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O corredor carioca é um privilegiado. Poucas cidades no mundo permitem ao atleta treinar em diferentes pisos com tanta facilidade. São quilômetros de pistas de asfalto e outros tantos na areia da praia. Mas muitos praticantes ainda têm dúvidas sobre os benefícios e malefícios de se exercitar nessas duas superfícies. A corredora-leitora Lara Atamian escreveu para o Pulso porque é uma dessas.

— Comecei a correr há quatro anos, sempre na areia fofa da praia. Nunca consegui me manter correndo no asfalto. Já usei os melhores tênis, mas sempre acabo me lesionando. Na areia fofa, corro 4,5km e, no asfalto, acabo fazendo 8km nos mesmos 45 minutos. O que os especialistas podem falar os dois tipos de
piso?

Para o cardiologista Marcos Brazão, diretor científico da Sociedade de Medicina do Esporte do Rio de Janeiro, todas as corridas — seja em terreno firme ou em areia fofa ou dura — são, sabidamente, os exercícios aeróbicos que mais conferem saúde a seus praticantes. — Por ser ao ar livre, à beira-mar, a corrida na areia já tem a vantagem de ser mais prazerosa do que aquela praticada em recintos fechados. Mas, entre seus benefícios, poderíamos citar o treinamento da propriocepção, que é a capacidade que o cérebro tem de controlar o equilíbrio corporal, evitando, por exemplo, uma torção de tornozelo, do próprio pé e do joelho, no caso de uma pisada em falso — afirma Brazão, que lembra aos interessados em começar uma atividade a, antes, fazer uma avaliação médico-funcional.

Segundo ele, outro dado interessante é que, na areia, o gasto energético é 60% maior do que em terrenos mais duros:

— A prática de corrida na areia também ajuda a fortalecer a musculatura, especialmente da coxa e das panturrilhas, e protege as articulações. Entre os inconvenientes, está a sobrecarga na coluna vertebral, principalmente na região lombar, que acomete os indivíduos menos preparados fisicamente para essa atividade.

Para João Montenegro, diretor técnico da assessoria esportiva RunnersClub, os benefícios de correr na areia são a diminuição do impacto nas articulações e o aumento na resistência.

— Correr na areia é bom para o período de base do treinamento, no qual não estamos preocupados com a velocidade e, sim, com o volume de treinamento — diz Montenegro, que alerta para os problemas de se exercitar neste piso. — Ele diminui a velocidade, e há o risco de se cortar o pé em detritos enterrados na areia.

Por causa da possibilidade de pisar em palitos de queijo coalho, por exemplo, Montenegro indica o uso de tênis.

— Apesar de a pisada afundar mais do que quando se está descalço, recomendo o uso do tênis. E, na areia, a mecânica do movimento muda, principalmente porque corremos mais na ponta dos pés.

Lara também quis saber se seria possível se preparar para uma meia maratona só treinando na areia. Segundo Montenegro, não.

— Se ela só treinar na areia, terá dificuldades quando estiver no asfalto, principalmente por causa da velocidade — diz Montenegro, que sugere à leitora que procure um profissional para cuidar de sua preparação.

No asfalto ou na areia, os dois especialistas recomendam não correr sob sol forte, e, independentemente do horário, sempre usar protetor solar e fazer uma boa hidratação.

Fonte: O Globo